Saint-Tropez passou boa parte do século XX construindo uma reputação difícil de separar do próprio lugar. Brigitte Bardot, iates, clubes de praia, festas, celebridades e carros esportivos ajudaram a transformar uma antiga vila de pescadores em um dos endereços mais conhecidos do Mediterrâneo.
Também existe um Saint-Tropez anterior a tudo isso e ele continua lá.
A vila continua tendo ruas estreitas, fachadas coloridas, pequenos barcos de pesca no porto e um mercado provençal que acontece na Place des Lices. A paisagem ao redor também permanece praticamente intacta: pinheiros, vinhedos, pequenas enseadas e praias que se espalham pela península de Saint-Tropez.
A graça está justamente em alternar os dois.



Onde ficar

Para quem quer viver Saint-Tropez a pé, o centro é a escolha mais interessante. Hôtel Byblos Saint-Tropez é o endereço clássico, ligado à história glamourosa da cidade desde os anos 1960. La Ponche oferece uma experiência mais íntima, dentro do antigo bairro de pescadores.
Quem prefere mais espaço e silêncio pode ficar em direção a Ramatuelle, onde hotéis como La Réserve Ramatuelle ficam entre jardins, pinheiros e o Mediterrâneo. A região também concentra algumas das hospedagens mais sofisticadas da península.
A escolha muda completamente o ritmo da viagem: centro para caminhar, observar e sair para jantar; Ramatuelle para acordar entre natureza e mar.
O que fazer
Comece cedo.
O Vieux Port é muito mais interessante antes que a cidade acorde completamente. Caminhe pelo porto, atravesse as ruas do centro histórico e suba até a Citadelle de Saint-Tropez. A vista dali explica boa parte da história do lugar: a vila, o porto, a península e o Mediterrâneo aparecem em uma única composição.

Depois, passe pelo Musée de l'Annonciade. A pequena coleção de arte moderna ajuda a entender uma parte menos conhecida da história de Saint-Tropez: antes de virar destino de celebridades, a cidade já atraía artistas.
Paul Signac chegou de barco no fim do século XIX e ficou fascinado pela luz local. Depois dele vieram outros pintores, ajudando a transformar a vila em um importante ponto da pintura moderna.

À tarde, vá para Pampelonne.
A praia fica tecnicamente em Ramatuelle, não em Saint-Tropez, mas se tornou inseparável do imaginário da cidade. É ali que ficam alguns dos clubes de praia mais famosos da região.
Para quem quer algo menos performático, vale procurar as pequenas praias e enseadas da costa, especialmente na região de Les Salins.
O que comer
Saint-Tropez pede uma mistura de cozinha provençal e frutos do mar.
Experimente uma tarte tropézienne, o doce que leva o nome da cidade e que se tornou um dos seus símbolos gastronômicos.
No almoço, procure peixe do Mediterrâneo, salada niçoise, ratatouille, legumes grelhados, anchovas e pratos com azeite, tomate e ervas.
Para uma refeição mais especial, há restaurantes selecionados pelo Michelin espalhados entre a vila e os hotéis da península.

Mas uma das melhores experiências pode ser muito menos sofisticada: comprar frutas, queijos, pão, embutidos e alguma coisa para beber no mercado da Place des Lices e fazer um almoço improvisado.
O mercado acontece duas vezes por semana e continua sendo uma das maneiras mais agradáveis de perceber que, por trás do espetáculo turístico, Saint-Tropez ainda é uma cidade provençal.
O que não deixar de fazer
Pegue um barco.
Não precisa ser um iate. Na verdade, quanto menor, melhor. A costa vista do mar explica Saint-Tropez de uma maneira que nenhuma fotografia do porto consegue reproduzir.


E reserve uma manhã para simplesmente andar sem destino pelo centro.
Saint-Tropez é um daqueles lugares em que o excesso de planejamento pode acabar escondendo justamente aquilo que fez a cidade ficar famosa em primeiro lugar: a paisagem.
A melhor maneira de conhecer Saint-Tropez talvez seja descobrir onde termina o mito e começa a vila.
















